O fenômeno da Retrospectiva e o legado de Marília Mendonça

O Spotify já provou que não é apenas um reprodutor de músicas, mas sim uma plataforma que cria verdadeiras tradições na internet. No final de novembro, o serviço liberou o seu tão aguardado Spotify Wrapped. Essa revisão personalizada do ano de cada ouvinte virou um evento nas redes sociais. É praticamente impossível abrir os Stories do Instagram nessa época e não esbarrar nos tradicionais cards coloridos mostrando os artistas, podcasts e faixas que as pessoas mais ouviram.

E quando falamos de dominar o ano, o Brasil teve uma rainha absoluta em 2022. Marília Mendonça garantiu o cobiçado posto de artista mais ouvida no país. A força colossal do seu legado ficou evidente também no topo das paradas de faixas individuais. A música mais escutada pelos brasileiros foi “Mal Feito”, uma parceira da cantora com a dupla sertaneja Hugo e Guilherme. A faixa foi lançada em novembro de 2021, logo após a trágica morte da artista.

Guardando memórias para o futuro

Mas a plataforma quer ir além de apenas olhar para o que já passou. A nova aposta é brincar com o futuro através de uma cápsula do tempo musical. O recurso interativo convida os usuários a montarem uma playlist que só poderá ser escutada no ano seguinte. Para guiar essa escolha, o aplicativo faz uma série de perguntas curiosas. Qual música te lembra alguém especial? Que som você precisa muito ouvir ao vivo em 2023?

A experiência fica ainda mais divertida na hora de escolher um “recipiente” virtual para guardar essas faixas. Você pode esconder suas escolhas em uma garrafa, em um urso de pelúcia, numa máquina de chicletes, numa lancheira ou até mesmo no bolso de uma calça jeans. Quem quiser criar essa playlist futurista precisa ter a versão mais atualizada do app e acessar a página da nova ferramenta até o dia 31 de janeiro. Depois dessa data, a cápsula é lacrada. O streaming enviará um alerta aos usuários apenas em janeiro de 2024, avisando que finalmente chegou a hora de reabrir e ouvir o que foi guardado.

A imersão física do áudio em Londres

Enquanto no ambiente digital as novidades não param, a empresa também decidiu investir pesado no mundo físico. O Spotify acaba de abrir as portas de um “Listening Lounge” exclusivo em sua sede em Londres. O espaço acústico foi construído do zero com um propósito muito claro: oferecer o ambiente perfeito para que os visitantes experimentem a tecnologia de áudio sem perdas (lossless) oferecida pela plataforma.

O projeto abraça uma tendência crescente de bares de audição e ambientes imersivos para audiófilos, algo que já faz sucesso em cidades como Sydney e a própria capital inglesa. Ao chegar na recepção do lounge, os convidados encontram uma iluminação quente e acolhedora. O piso de ardósia e os detalhes arquitetônicos em aço criam uma transição quase poética, separando o caos urbano do lado de fora do conforto intimista do interior do estúdio.

A acústica do ambiente, claro, foi tratada como prioridade. Ethan Bourdeau, especialista em acústica baseado em Nova York, trabalhou minuciosamente no design sonoro do lugar. Ele projetou padrões de superfície específicos para cada parede, garantindo que todas as frequências de som se dispersem de maneira perfeitamente uniforme pela sala.

Para coroar a experiência, o sistema de som principal carrega a assinatura de Shivas Howard-Brown, da Friendly Pressure. O conjunto inclui gabinetes fabricados sob medida e uma versão em vidro fosco da clássica corneta guia de onda da marca. Billie Baier, chefe de marketing do Spotify para o Reino Unido e Irlanda, define bem o projeto. Para ela, o lounge é o ponto exato onde a tecnologia, a cultura e o trabalho artesanal se encontram. Trazer o áudio lossless para um ambiente tão planejado é a forma da empresa provar todo o potencial do streaming e estreitar ainda mais a relação dos fãs com as músicas que eles amam.