O relógio marcava 17h15 no dia 30 de dezembro de 2026. A torcida que lotou Old Trafford para o último compromisso do ano esperava uma atuação de gala, mas o que viu em campo foi um empate travado de 1 a 1 contra o Wolverhampton. O Manchester United até tentou impor seu ritmo, fechando o jogo com 56,1% de posse de bola, mas a falta de contundência custou caro e evidenciou buracos profundos no elenco.
A partida foi um verdadeiro retrato da irregularidade do time. Tivemos chances criadas, é verdade. Benjamin Sesko deu muito trabalho à defesa adversária no primeiro tempo: obrigou o goleiro a fazer defesas difíceis e chegou a carimbar a trave esquerda numa cabeçada após um cruzamento na medida de Luke Shaw. Matheus Cunha e Patrick Dorgu também tentaram arriscar de fora da área e viram seus chutes bloqueados. Só que o futebol não perdoa quem não mata o jogo. Aos 45 minutos, no apagar das luzes da primeira etapa, um verdadeiro banho de água fria. Após uma cobrança de escanteio concedida por Dorgu, Ladislav Krejcí subiu livre no meio da grande área e testou firme para o fundo da rede, decretando o empate do Wolves.
O segundo tempo foi marcado por muita transpiração e pouca inspiração. O jogo ficou picotado. Tivemos gols que não valeram por impedimento — ora com Cunha tentando achar Sesko, ora com o próprio esloveno buscando Dorgu em posição irregular. A partida sofreu interrupções por conta de lesões, como a de Matt Doherty e a saída de Hwang Hee-Chan para a entrada de Fer López no lado do Wolverhampton. O United pressionava no abafa, conquistando escanteios em sequência cedidos por Yerson Mosquera e Hugo Bueno, mas esbarrava na falta de pontaria, como na finalização torta de pé esquerdo do garoto Jack Fletcher após um tiro de canto. Do outro lado, o Wolves levava perigo nos contra-ataques com Mateus Mané e Tolu Arokodare.
Mas o momento que talvez melhor explique a atual crise de identidade do Manchester United aconteceu logo aos 30 minutos de jogo. O técnico sacou Manuel Ugarte do meio-campo e colocou Bendito Mantato (junto com Leny Yoro na vaga de Ayden Heaven). Uma alteração tática tão precoce não é obra do acaso; é um atestado de que as coisas não estão funcionando.
Esse tropeço dentro de casa serve como o gatilho perfeito para entendermos a movimentação frenética da diretoria nos bastidores. O meio-campo do United pede socorro. Com o ciclo de Casemiro chegando ao fim e Ugarte reprovando de forma categórica no teste para ser o sucessor do brasileiro na volância, o clube sabe que precisa abrir a carteira.
O alvo dos sonhos já tem nome e sobrenome: Aurelien Tchouameni.
Fontes de dentro de Old Trafford admitem que há uma chance real de tirar o craque francês do Real Madrid na próxima janela de transferências. O diretor de recrutamento Christopher Vivell vem pressionando forte para que o negócio aconteça, e Jason Wilcox mantém as linhas de comunicação totalmente abertas com o estafe do jogador. O United enxerga Tchouameni como a peça que falta para equilibrar e elevar o nível do setor de criação e marcação da equipe.
O clube até já se antecipou no mercado em outras frentes. Um acordo de 39 milhões de libras pelo Ederson, o dinâmico motorzinho da Atalanta, já está alinhado. Além disso, existem conversas avançadas para trazer a promessa Mateus Fernandes, do West Ham. O detalhe é que ambos são jogadores de infiltração, os famosos volantes “área a área”. A vaga de primeiro volante, aquele camisa 5 de ofício para ser a fundação do time, continua vazia. Elliot Anderson, que era a primeira opção da diretoria, já está com as malas praticamente prontas para assinar com o lado azul de Manchester.
O grande obstáculo nessa novela é que o United não está sozinho. O Liverpool vem conversando constantemente com Tchouameni e é visto como o principal rival na disputa se o jogador decidir vir para a Inglaterra. Arsenal e Chelsea também monitoram a situação de perto, ainda que corram por fora — vale lembrar que no Stamford Bridge agora quem manda é Xabi Alonso, um velho conhecido do futebol espanhol que acompanhou de perto a titularidade absoluta de Tchouameni no Madrid.
O contrato do volante com o clube merengue vai até 2028, e até existia uma vontade mútua de renovação. Porém, o Santiago Bernabéu está passando por um vendaval. Florentino Pérez foi reeleito e já trouxe ninguém menos que José Mourinho de volta ao comando. Com a adoção de uma política agressiva de mercado, a posição de Tchouameni nos planos do ‘Special One’ deixou de ser intocável. A diretoria espanhola entende que ele é um dos ativos mais valiosos do elenco que Mourinho não faria questão de segurar.
Para bater o martelo, o Real Madrid exige algo em torno de 100 milhões de euros (aproximadamente 87 milhões de libras). É uma quantia pesada, mas, curiosamente, acaba sendo mais barata do que as cifras estratosféricas pedidas por opções como o próprio Anderson ou Sandro Tonali. Resta saber se o Manchester United vai ter fôlego financeiro e poder de convencimento para fechar a contratação e, finalmente, arrumar a casa. O empate amargo de ontem já deixou claro que improvisos não vão mais resolver.