Uso celulares da Samsung desde a época do T100, lá em 2004. Hoje, meu daily driver é um Galaxy S23 Ultra, então acabo acompanhando de perto como a marca sul-coreana toma suas decisões de hardware. Olhando para os movimentos recentes do mercado, fica muito claro como o formato de um aparelho dita as regras do jogo e impacta a nossa experiência final. Pega o Galaxy M35 5G e os recentes vazamentos do aguardado Galaxy S26 FE, por exemplo. São propostas de engenharia totalmente diferentes que mostram a versatilidade — e as limitações físicas — da fabricante.

Lançado no segundo semestre de 2024, o Galaxy M35 5G é aquele tipo de smartphone focado puramente em não te deixar na mão no meio do dia. O bicho é parrudo: pesa 222 gramas e tem 9,1 mm de espessura (162.3 x 78.6 mm de corpo), mas por um motivo extremamente válido. Ele carrega uma bateria tanque de guerra de 6000 mAh do tipo LiPo. Rodando a interface One UI 6.1 por cima do Android 14, ele vem equipado com o chipset Exynos 1380 de 64 bits. É um processador honesto com oito núcleos (quatro Cortex-A78 rodando a 2.4 GHz e quatro Cortex-A55 a 2.0 GHz) acompanhado da GPU Mali-G68 MP5, 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento. Se você é daqueles que acumula arquivos, a gaveta híbrida aceita um MicroSD de até 1 TB.

É um pacote muito competente para a categoria, entregando uma tela Super AMOLED de 6.6 polegadas com 120 Hz de taxa de atualização, resolução de 1080 x 2340 pixels e capacidade para exibir 16 milhões de cores. Na traseira, a Samsung colocou um trio de câmeras liderado por um sensor principal de 50 MP (abertura f/1.8 com foco automático e estabilização ótica e digital), ladeado por lentes de 8 MP e 5 MP. Ele grava vídeos em 4K a 30 fps, tem slow motion a 480 fps e traz uma frontal de 13 MP (f/2.2). No quesito conectividade, marca todas as caixas essenciais: Wi-Fi 6, 5G que bate teóricos 3790 Mbps de download, Bluetooth 5.3, NFC, GPS completo e leitor de digitais. Mas enquanto o M35 tira leite de pedra de um chip intermediário num chassi espaçoso, a conversa muda totalmente de figura quando olhamos para a arquitetura de ponta da marca.

É aí que entra o verdadeiro elefante na sala: o novo Exynos 2500. A Samsung estreou seu primeiro chip fabricado em 3 nanômetros no Galaxy Z Flip 7, só que quem fuça hardware de perto sabe que um formato dobrável em concha é, por natureza, um pesadelo térmico. Para o celular não fritar na mão do usuário por conta do espaço interno limitadíssimo, a empresa precisou segurar o desempenho do processador. O chip simplesmente não teve espaço físico para respirar e mostrar do que era capaz. A boa notícia é que o Galaxy S26 FE, com seu formato tradicional em barra, chega no final deste ano justamente para tirar a coleira desse hardware.

O banco de dados do Geekbench já escancarou os números, e a diferença de performance chega a ser cômica. No S26 FE, o Exynos 2500 cravou 2.426 pontos no teste de single-core e 8.004 pontos em multi-core. Na prática, isso significa que a CPU é quase 38% mais rápida em tarefas de núcleo único e 22% superior no processamento multi-core quando comparada ao mesmíssimo chip tentando sobreviver dentro do Z Flip 7. É o que acontece quando a engenharia ganha uma folga térmica e espaço para dissipar calor.

Os vazamentos mais fortes indicam que esse S26 FE vai ser um baita topo de linha acessível. Espera-se um display Dynamic AMOLED 2X de 6.7 polegadas com resolução Full HD+ e taxa de atualização variável de 120 Hz, escondendo o leitor de digitais sob a tela. O kit fotográfico também sobe o sarrafo: a principal mantém os 50 MP, mas ganha a excelente companhia de uma ultrawide de 12 MP e uma lente telefoto de 8 MP com zoom ótico de 3x. E se o M35 parava no 4K a 30 fps, o S26 FE deve gravar em absurdos 8K a 30 fps na traseira e 4K a 60 fps em qualquer uma das câmeras, incluindo a frontal de 12 MP com detecção facial aprimorada.

Para sustentar esse conjunto pesado, a bateria cai um pouco em relação ao gigante M35 — teremos 4.900 mAh aqui —, mas compensa entregando suporte a um carregamento rápido de 45W. A ficha técnica se completa com certificação IP68 contra água e poeira, alto-falantes estéreo, versões de 256 GB ou 512 GB de armazenamento (mantendo os 8 GB de RAM), além de conexões parrudas como Wi-Fi 6E, Bluetooth 5.4, GNSS e porta USB-C 3.2.

Comparar a ficha técnica brutal e utilitária do M35 com o refinamento aguardado do S26 FE serve para provar um ponto essencial. Colocar um processador de última geração espremido num chassi pequeno de dobrável é jogar potencial bruto no lixo. Às vezes, o formato clássico em barra e uma gestão inteligente de espaço interno ainda são os melhores amigos da performance real de um smartphone.