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O futuro do LIV Golf sob nova ótica e o peso da exaustão no PGA Tour

Padraig Harrington não está pronto para dar o LIV Golf como morto, ao contrário do que sugere grande parte do burburinho nos bastidores do esporte. Enquanto o mercado parece preparar o terreno para um colapso iminente da liga — com a suposição de que os jogadores estariam prontos para um retorno em massa ao circuito tradicional —, a realidade vista pelos atletas é outra. “Eles dizem que querem continuar, que querem manter o projeto vivo”, comentou Harrington durante o PGA Championship no Aronimink Golf Club, onde ele garantiu um respeitável T-18.

O golfista irlandês, que conversou com diversos atletas do LIV na semana passada, admite que há muitas lacunas, mas enxerga um caminho para a sobrevivência da liga através de uma versão mais enxuta e adaptada, especialmente após a redução no aporte do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita. Segundo Harrington, os jogadores acreditam haver chances reais de captar o necessário para seguir em frente, inclusive aceitando reduções nas premiações. A meta seria arrecadar cerca de 100 milhões de dólares — um valor que, embora pareça baixo para os padrões inflados do golfe atual, seria suficiente para manter a operação funcionando.

A busca por um novo modelo de negócio

A estratégia para a sustentabilidade passa por uma reestruturação. Um agente de jogadores, que preferiu manter o anonimato devido ao envolvimento com múltiplas partes interessadas, sugere que o LIV ainda pode realizar torneios em seis a oito mercados internacionais na próxima temporada, com bolsas de premiação na casa dos 5 a 10 milhões de dólares. É uma queda significativa em relação aos 30 milhões vistos nos 14 eventos deste ano, mas uma mudança de rota necessária. “Eles ainda podem frequentar pontos estratégicos como Austrália e África do Sul”, explica o agente. “Não dá para continuar perdendo dinheiro em Chicago, mas Indianapolis funcionou.”

Scott O’Neil, CEO do LIV Golf, também esteve no PGA Championship e, segundo relatos recentes, busca investidores dispostos a injetar cerca de 250 milhões de dólares. O objetivo é claro: alcançar a rentabilidade em aproximadamente 20 meses. Mesmo que o montante final seja menor, na casa dos 150 milhões, a aposta recai sobre o crescimento do valor das equipes e em novos acordos de direitos de mídia.

Harrington, por sua vez, defende uma mudança mais drástica no formato para tornar o produto viável. Ele sugere um foco maior na disputa por equipes e um calendário que não compita diretamente com o PGA Tour. “Se tivessem equipes de seis jogadores, com 12 semanas de torneios, onde apenas quatro jogam, seriam apenas oito semanas de atividade. Poderia ser algo espalhado pelo final do ano”, sugere o irlandês. “Seria um produto diferente, mais sustentável, coordenado com o European Tour. Você não precisa jogar todos os eventos, e com uma equipe maior, é possível escolher quando participar.”

O custo humano por trás das estatísticas

Essa dança das cadeiras no alto escalão do golfe é apenas uma faceta de um esporte que vive um momento de ajuste constante. Enquanto investidores tentam desenhar a viabilidade financeira das ligas, do outro lado da moeda, os atletas sentem o impacto da pressão brutal que define o circuito profissional hoje.

Nem todo novato chega ao PGA Tour surfando uma onda de vitórias como Tiger Woods em 1996 ou Jordan Spieth em 2013. A carreira de um profissional é feita de altos e baixos, e a recente pausa anunciada por Marco Penge é um lembrete contundente dessa realidade. O novato do PGA Tour anunciou, apenas 20 horas após o encerramento do PGA Championship, que faria uma pausa na carreira por questões de saúde.

A decisão veio após um fim de semana difícil no Aronimink Golf Club, onde o inglês encerrou sua participação com um corte perdido após uma segunda rodada instável. Penge, atual Jogador do Ano do DP World Tour, terminou o torneio com 12 acima do par, sofrendo com bogeys e duplos bogeys nos buracos finais. “Esta semana não foi como eu queria, mas isso é o golfe”, escreveu Penge no Instagram. “Decidi tirar um tempo para recuperar minha saúde. Obrigado pelo apoio de sempre, estarei de volta em breve.”

A recepção dos fãs foi de solidariedade imediata, com seguidores reforçando que priorizar o bem-estar mental e físico após uma sequência exigente de competições é, na verdade, a decisão mais sábia. Enquanto isso, o torneio seguiu seu curso, coroando Aaron Rai com seu primeiro título major e um prêmio de quase 3,7 milhões de dólares — um lembrete do abismo financeiro que separa os que estão no auge dos que ainda tentam encontrar seu ritmo em um circuito cada vez mais implacável.